outubro 04, 2008

Sobre a nudez


Estávamos nus um frente ao outro. Não nos sentíamos tímidos ou envergonhados. Estivemos assim, despidos, desde a primeira vez. Aonde nenhuma palavra poderia ser duvidosa, nenhum gesto incerto. Nós possuímos uma verdade absoluta: não queríamos mais nada além de uma possibilidade. De uma chance que nos trouxesse a vida novamente. É bom estar nu na frente de quem se ama, nenhuma máscara finge a feição da face, nenhum pano esconde o que o outro já conhece a dedos e bocas. O corpo tenta esconder a alma, mas a alma também está nua, e dançando, na retina dos olhos.



(Cáh Morandi)

outubro 03, 2008

Sobre possuir

(foto: Cáh Morandi)


não nos basta o brilho dos olhos
os beijos doces e delicados
os abraços para dormir
o carinho, o sussurro,
a presença e o cheiro
nem mesmo
os laços invisíveis
que o amor nos envolve
não nos basta
essa raridade
de possuir
o essencial
o imprescindível



(Cáh Morandi)

setembro 29, 2008

take me


não me leve embora
me leve a sério
me leve agora
para dentro
para cama
para uma noite
inteira
para uma vida
passageira
mas me leve
para algum lugar
para algum país
me faz feliz
me faz, me leve



(Cáh Morandi)




setembro 25, 2008

Grão


Quando se é planta, quando se é verde,
pega-se um grão, pequena semente
e deixa numa parte que se supunha
ser da gente, só para ver se germina
depois se cruza as mãos
e põe toda a fé para chover
só para ver se a gente cresce
quem sabe floresce
dentro daquele coração
de repente somos flores,
de repente somos árvores,
de repente somos grama,
de repente ficamos grãos,
mas isso não é motivo de
tristeza ou de frustração
nem todo coração
suporta o nascer de
uma primavera



(Cáh Morandi)

setembro 21, 2008

Os espaços vazios




Nunca soube o que fazer
com os espaços que ficam
depois que alguém vai embora
uma dúvida insiste
e de tanto, o meu tentar desiste
de trocar a ausência
por qualquer coisa que fira menos:
nada para repor
nada para suprir
nada que realmente comportasse
o encanto de algo que ficou
para trás



(Cáh Morandi)


setembro 18, 2008

e quem diria
que o amor se fazia
à meia luz
de uma madrugada
que sorria?

ah, quem pensaria
que amor é só poesia
a meia noite
de uma lua clara
que amanhecia?


(Cáh Morandi)

setembro 12, 2008

12th September


Cai uma chuva gelada por trás da vidraça. Os dedos dos pés impacientes dentro da meia de lã, as mãos se aquecendo com a xícara de café, os lábios sendo mordiscados com os dentes, um pijama velho, um moletom jogado em cima, os cabelos bem amarrados, os olhos pequenos e perdidos acompanhando o desenho que água faz no vidro da janela.Não me importo em estar assim despojada, só quero me sentir o máximo bem que puder, embora seja improvável isso acontecer em uma noite de sexta, quando o fim de semana chega e você não tem ninguém. Ninguém que vá te abraçar enquanto a chuva cai lá fora. Ninguém que vá acalmar a tempestade que acontece dentro de você. Ninguém que vá te dar a mão quando você tem tanto receio de estar sozinha. Ninguém que ficaria ali, de graça, deitado ao teu lado escutando os trovões. Por um instante você pensa que isso é tão triste, que isso pode ser tão miserável e o amor parece ser uma esmola que você pede em troca de um sorriso, por mais falso que isso pareça. Frágil, o barulho da chuva viola o silêncio do pensamento, da lembrança, da doce ignorância em planejar o futuro. Você tem medo, porque você vê que tem tanta lágrima por dentro, escondida, calada, tímida e um dia chuvoso e frio é tão pouco comparado a tudo que você esconde atrás de um rosto discretamente limpo e doce.




Cáh Morandi

setembro 11, 2008

Atrevimento

Não acredito em meus medos
Nem crio mais pesadelos
Que me fazem perder

Não acredito em meus debates
Nem crio mais impasses
Que me fazem reter

Sou inteira em cada envolvimento
Saltando buracos ao relento
Com vínculo ao clarear

Sou certeira em cada movimento
Cortando as curvas do vento
Com ímpeto ao voar



(Cris de Souza e Cáh Morandi)

setembro 07, 2008

about a small time


Quanto tempo se tem
para amar alguém
que a gente não amou ainda?
Alguém que a gente esperou tanto
quase toda uma vida
só para poder ver e estar?
Tantas horas
vamos perder só no encantamento
de se olhar
de admirar a beleza que criamos...
Tanto silêncio
para dizer o que valerá por anos
e tanto, e tanto, e tanto
do tudo que ainda virá


Sentir o ar que o outro solta
e os seus pêlos se arrepiarem
e seus pensamentos se fracionarem
em pequenos gestos de amor
tudo para nem pensar
em ir para cama...
amar estava sendo aquilo:
a admiração e beleza
de se encontrar.


(Cáh Morandi)

setembro 04, 2008

Setembro Tarda


manhã de setembro
dentro algo muda
no jardim suspenso
o botão da prosa
flora poesia
cor - de - rosa

o tempo tarda
por fora desnuda
a praia calma
a onda do verso
quebrando muda
ao vento adverso


manhã de setembro
dentro algo surta
no relógio dos confins
o refrão da retina
seduz os ponteiros
do bem-te-vis

o tempo tarda
por dentro anula
as fugas da alma
o real absurdo
máscaras ocultas
um grito mudo


Cris de Souza e Cáh Morandi

setembro 01, 2008

Sobre fazer sonhar

Foto: alonegut

Nunca consegui enumerar todas as coisas que eu gostava e as que você me fazia sentir. Primeiro, porque eram muitas. Segundo, porque algumas não tinham nome. Éramos extremamente felizes porque acreditávamos no amor, porque de início não víamos nada de empecilho, não víamos distancias, sejam de idades ou sejam de cidades, nós apenas vivíamos aquele presente que a vida parecia nos dar. E quando começaram surgir os planos, os sonhos, e fomos dando nomes para eles, a dar local e datas, e eu, então, parecendo um foguete a voar pelo céu de felicidade, vi você se afastando, medroso, inseguro. Mas que direito tinha eu de te fazer estar comigo todos os dias de amanhã? Que direito tinha eu de amarrar tuas mãos com a minhas? Não precisavas ter medo, tu não tinhas que arranjar uma forma de fazer tudo acontecer, tua única obrigação era me fazer sonhar.



(Cáh Morandi)

agosto 28, 2008

Revés

vou pegar um vôo
antes que seja tarde demais
eu vou, não volto
nem por céu, nem no cais

vou até os astros
antes que entardeça horizonte
eu vou, sem rastro
bem de fronte, bem na fonte

vou sem hora, sem demora
aventurar em outros ares
que aqui não mais posso ficar
no ansiar por novos mares

vou sem rota, sem derrota
procurar outra parte de mim
que não sei onde perdi
no começo ou perto do fim


(Cris de Souza & Cáh Morandi)

Mais perto



Não te tocar
Não saber o teor da tua pele
Não te sentir
Não descobrir como vibra tua voz
Não saber o que não é segredo
Nenhuma desconfiança
Nenhuma esperança nula
Algumas palavras vagas
Por não saber dizer
As palavras certas
Que te levariam a
Um sim, que te
Trouxessem para
Mim, que nos fizesse
Mais perto



(Cáh Morandi)

agosto 25, 2008

Por enquanto


Deus, eu sei que tu me ouves. A madrugada inteira ficou me cutucando, muito espaço para a saudade se estender. Levantei incomodada, arrumei os lençóis, abri a porta da varanda, tentei dormir, mas era impossível. Deus, minha cama é muito grande, e não tem ninguém aqui para ocupar tanto espaço, o que fica espalhado são pedaços de passado e expectativas de futuro. Só um lado da cama acorda desfeito, e não o meu, porque tenho deitado imóvel: são minhas mãos sonolentas e esperançosas buscando algum vestígio, agarrando-se ao que não há. Deus, só diminua a minha cama para que nenhuma lembrança vá querer dormir comigo. E só quando der ou se puder, alguém para dormir e caminhar junto.
.
.
(Cáh Morandi)

agosto 22, 2008

Da Poesia Banhada a Lírios - Um presente de Davi Drummond

foto: o lírio em minhas costas e iniciais


(Davi Drummond para Cáh Morandi)


os lírios
que crescem
em suas costas
não crescem
pela água que
cai e se esvai

nem mesmo
existem sementes
que fazem brotar
novos ramos

pétala por pétala
a magia de seus lírios
transforma-se em versos líricos
que se espalham pelo chão
e por si renovam-se em cores

sendo flor
sua poesia é regada
por silêncio
ternura
e seus delírios

agosto 21, 2008

Das insignificâncias da vida


Bastava o perfume que os cabelos deixavam nos travesseiros
E aquele beijo trocado em plena tarde de uma segunda feira agitada
Bastava aquela conversa sobre um assunto sem nexo no café da manhã
E as gargalhadas do ser amado vendo TV em plena madrugada
Bastava estarem abraçados e ainda deitados num dia preguiçoso
E implicarem antes de um passeio por causa de uma saia minúscula
Bastava mesmo que fosse uma briguinha antes de começar o dia
E você ficar pensando o dia todo em alguma forma de reconciliação
Bastava que ele chegasse, mesmo esquecendo das compras da semana
E que ela te perguntasse a cada minuto se você a amava

São nessas pequenas horas que se descobre ter sido feliz,
Mas isso é coisa que demora uma vida toda para se perceber



( Cáh Morandi )

agosto 20, 2008

Mar Aberto





Um dia nós vamos nos cruzar
de amores novos
e aí não sei no que vai dar
se vamos só passar um pelo outro
ou vamos segurar um pouquinho o olhar
vai ser muita coisa para passar na mente:
muitos filmes, muitos discos,
muitos livros de presente,
muitos planos, muitos domingos,
muitas viagens, muitas sacanagens
e isso vai doer mais do que quando
fomos nos abandonando,
pois a dor é justamente a lembrança:
é a saudade de quando a vida nos
era um mar aberto arrebentando ondas




(Cáh Morandi)

agosto 17, 2008

imagem: alone gut

(Para meu amor)

- Devíamos ter mais opções de escolha.
- Como assim?
- Escolher de quem gostar, por exemplo...
- Isso não dá.
- E se desse, o que você faria?
- Ainda assim escolheria você.



(Cáh Morandi)

agosto 14, 2008

Casa Abandonada


É que agora – aqui dentro – a casa foi ficando meio empoeirada, como se toda essa mobília sentimental não tivesse sendo mais usada, a janela foi deixada aberta e tanto vento foi passando, levando as cores dos retratos e deixando o pó como ressarcimento.Aqui em casa não tem mais conforto, tudo virou incômodo, e às vezes nem em casa eu me sinto. Não tem mais abraço, não tem mais teto para pintar de sonhos toda a noite, nem tapete colorido para deitar no domingo. Tudo daqui foi sumindo, não tem mais ninguém nessa casa, só um eco se espalha quando eu volto e os passos ficam rangendo o assoalho, e fica uma sensação estranha de ver cinza onde tudo foi festa e euforia. Na porta de entrada eu sempre pedia um beijo, até que um dia o beijo foi de despedida.



(Cáh Morandi)

agosto 13, 2008


Eu queria que quando de minha parte já não houvesse mais nada, você me desse algo de esperança, algo que só as lembranças boas poderiam me ascender, queria que me desse algo de delicado e bonito, e aquela gana que tínhamos, aquela fé um no outro, para que eu desejasse tudo de novo e ainda mais. Para que eu me apaixonasse por você como na primeira vez, queria que me desse o amor que a gente fez só de se olhar.
.
.
(Cáh Morandi)

agosto 12, 2008

Domingão

É uma delicadeza
Um domingo a tarde contigo no sofá
Receber tua cabeça em minhas pernas
Alisar teu cabelo, escutar teus sonhos
Ver o teu riso se transformar em choro
E de um choro pular a um extremo gozo
Ver teus medos se espalhando pela sala
Sentir teus planos abraçando corpo e alma
A TV ligada, mas nada nos importa
Não nos pertence mais o mundo lá fora,
Nem as horas, nem os sons das buzinas,
Nada nos tira do nosso momento de agora


(Cáh Morandi)

agosto 11, 2008

Quando vier meu mundo


Logo virá um tempo
Em que eu terei um mundo
feito para mim;
Regarei a minha terra,
Cuidarei de minhas flores,
Alimentarei os meus sonhos;
Hei de olhar dentro dos olhos
Verdes e pequenos do
[ meu mundo ]
E soltar seus cabelos castanhos
Para voarem ao vento;
Hei de pegar as mãos
Pequenas e delicadas do
[ meu mundo ]
E conduzi-lo a um lugar
Onde só haja paz;
Hei de amar por completo
E sem medida o
[ meu mundo ]
E depois dá-lo a um mundo
Que não sei quem é o dono;
Mas ele irá lembrar das
Coisas de meu tempo;
E ele irá se sentir seguro
Quando lembrar do meu
Olhar fixo;
E de minhas mãos
segurando
As suas, firmes!
.
.
(Cáh Morandi)

agosto 07, 2008

Para as lembranças



Para que a dor seja maior depois que o nosso tempo tiver passado, prefiro te ser mais presente nas coisas simples: nas brincadeiras com pipocas nos filmes, na hora do banho em que brinco com o sabonete em tuas costas, nos bilhetinhos que deixo entre tuas roupas, nas marcas de minhas unhas em tuas coxas, em todo meu preparo para lavar louça, o meu corredor preferido no supermercado, minha inquietude em não poder te ver deitar de lado e já me encaixar em você. Em tudo vou deixar um pouco do meu jeito: no reflexo do espelho, em quando eu te pedia um beijo e meu rosto se sujava do creme barbeador, me manter viva nos segundos, nos domingos em que planejávamos mudar o mundo sentados no sofá. Prometo me espalhar por todos os cantos da casa, e não te deixar me esquecer em nenhum gesto ou sorriso em um futuro amor que você possa ter.




(Cáh Morandi)

Visitante no blog

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto...


(Paulo Leminski)

agosto 05, 2008

Meu lado bom


o homem que eu amo
é minha parte mais bonita
minha parte mais poética
minha parte mais penteada
minha parte mais bem vestida
eu sozinha sou quase nada
porque é ele que me enfeita
é ele que me adorna
é ele que me torna
uma mulher completa,
intensa, repleta

agosto 03, 2008

uma estrela e um astro


pegas meu corpo
me prendes num abraço
giramos no espaço
me levas no céu
me pintas no alto
perto d’uma estrela
coberta de luz
luzindo meu astro

amor traidor



nossos braços se cruzam nas costas
em meio as promessas falsas de um pecador
na meia luz são só meios corpos
me enrosco nas pernas do meu traidor
os beijos são cheios de salivas amargas
as palavras tão claras de um doce rancor
no fim a gente nega, se perde na entrega,
uma indiferença tão perto do amor



(Cáh Morandi)

agosto 01, 2008

meu homem e seu menino



dentro dele
tem um menino que me olha
medroso e inseguro
que se esconde
atrás de um homem de barba
enquanto me abraça
um que me pesa o corpo
um que me pesa a alma
ele ri, ele e o menino
os dois tão perdidos
que não se sabem
quem está mais dentro
um do outro



(Cáh Morandi)

julho 31, 2008

Rain, July 31, 2008


A chuva cai devagar, uma garoa chatinha para o último de julho e um frio que parece nos cravar as unhas na pele. Poças de água pequenas se formando na grama, as folhagens pingando, a terra molhada e suspensa. O céu tão cinza e tão gelado que nenhum pássaro poderia voar mesmo depois que toda a chuva passasse. O dia já acordou grafite e dias tão molhados me dão uma certa inspiração. Uma inspiração perto da tristeza, porque são nesses dias que chovem que o que nos faz mais falta pega nosso coração e aperta, aperta tanto até que tudo que a gente lembra vai saindo para fora e se pintando nas paredes do quarto. E então, ver o que se sente dói bem mais. Porque a dor e as coisas que se sente tem rosto, tem voz, tem cheiro, e principalmente tem uma parte da gente que nunca mais vai voltar.




(Cáh Morandi)

julho 30, 2008

Partes iguais

penso antes de dormir,
como está teu corpo?
ainda tão quente
derretendo os lençóis?
penso nessa lembrança
que me arde:
quando o meu corpo
do teu era parte
quando a gente se deixava
em um corpo só



(Cáh Morandi)

Saudade

Saudade é só uma forma
De sentir o amor pelo avesso

(Cáh Morandi)

julho 29, 2008

Realidade


Um dia nos tiram alguma coisa e não adianta se prevenir, se precaver ou ficar atento. Isso vai acontecer. Ninguém sai da vida inteiro e os que saíram, bom, eu não os conheci. Uma noite você vai estar perdida ou tão despercebida que irão tirar sua intimidade, e acredite: você vai sentir que anda nua por toda a vida. Um dia vão lhe tirar um riso, uma oportunidade, um direito, algo que você mais gosta ou aquilo que você mais preza. Talvez você perceba na hora, talvez você só perceba muito tempo depois. Não quero parecer pessimista, mas a realidade é assim. Acredite no que te digo: o que vão tirar de você é irrecuperável.

(Repito: Ninguém sai da vida inteiro.)



(Cáh Morandi)

julho 28, 2008


Já não tenho previsão para os dias
Já não tenho mais nada do que queria
Mas se por ventura, anos depois,
Quando vier aquela menina, pequena,
Refletindo meus olhos de felicidade
Vou passar horas atrás de vestigios...
Como não poder imaginar, procurar,
Como não pensar que ela terá
O teu mesmo sorriso ao acordar?



(Cáh Morandi)

julho 27, 2008

Feito flor


ele diz que sou flor
e de repente me toca
me abre e respira
me chama pra vida
pétala por pétala
no chão despida



(Cáh Morandi)

julho 25, 2008

Obrigada


Hoje é o dia! Estou num misto de felicidade e ansiosidade! Como disse ontem no meu outro blog, repito aqui: hoje é um dia de somente lembrar e agradecer por tudo de bom que tem acontecido... Nada, absolutamente nada de ruim deve ser considerado! Quero agradecer aos amigos que se mostraram presentes, a tanta ajuda e carinho que recebi de onde não esperava! Um beijo no coração a todos aqueles que vibraram comigo e que vibrarão hoje a noite! Nem tenho como descrever o tamanho da minha felicidade!! Hoje, sem dúvida, é um dia inesquecivel para minha vida pessoal, porque é o primeiro lançamento do meu primeiro livro (dos muitos que viração, espero)! Aos meus leitores de longe, tenho certeza que seus bons pensamentos estarão comigo! Aos meus amigos, familia e leitores que me encontrarão hoje a noite: vibraremos muito!


OBRIGADA!

Relembrando
Lançamento do mini-livro "Borboletas no Estômago"
Local: Biblioteca da Faculdade Sinergia
Horário: das 19:00h às 20:30h

julho 24, 2008


arrumando as malas
para ir embora

a casa perdendo
o cheiro da tua roupa

e um riso forçado
no canto dos lábios
em sinal de:
“- tudo bem, pode ir...”

e a felicidade não passará
de um descolorido retrato
guardado no fundo do armário
com todos os sonhos cometidos



(Cáh Morandi)

julho 19, 2008

Sobre a saudade


Ter do que se lembrar não nos remete a fotografias e vídeos, nem a memória viva da face daqueles que amamos, embora isso possa parecer egoísmo, mas uma saudade forte é ainda poder saber a intensidade de como nos sentimos naquele momento em que tudo isso fez parte de nós; de lembrarmos o nosso arrepio no corpo de quando conhecemos nossos amores que partiram, a forma que nos sentíamos quando os víamos dormir, quando os beijamos, quando fomos quase únicos. Saudade que faz falta é quando nos olhamos ainda na infância, brincando em balanços e parece que o vento nunca parou de nos tocar a face e de levantar nossos cabelos. Então a saudade não está em lembrar... Saudade é ainda poder sentir.



(Cáh Morandi)


julho 17, 2008

Sobre amores e arrepios


- Você já ficou arrepiada?
- Sim. Principalmente quando está frio...
- Já notou que quando a gente tem a sensação de arrepio, surgem na pele inúmeras bolinhas?
- Sim, e junto vem um frio na barriga, né?
- Vem sim. Você sabe quantas vezes eu me apaixonaria por você de novo?
- Nenhuma?
- O mesmo número de bolinhas que surgem na pele de todos os arrepios que existem.
.
.
(Cáh Morandi)

julho 13, 2008

Beijos estrelas




Um beijo não acontece sempre, porque um beijo é algo muito perto do milagre, e milagres demoram para se alcançar. Porque não basta fazer promessa, primeiro se deve acreditar, e isso é fé. O beijo é parecido, porque não é só um lábio no outro, duas línguas se tocando, mas sim quando esse encontro acontece e então a gente sente como se todas as estrelas do céu da nossa boca estivessem caindo e derretendo em nossa garganta. Beijos-milagres-estrelas são como aquelas cadentes que a gente vê raras vezes e que se pode fazer um pedido (os milagres que desejamos) enquanto dura o pequeno espaço de sua existência.




(Cáh Morandi)

julho 10, 2008

Sorriso Intacto




Passam das três da madrugada
Me afundo, são sete, oito oceanos
Nenhum humano resistiria
Eu tento um passo mais largo
Um suspiro mais profundo
O mundo gira, eu solto o ar
No tempo nada se modifica
O retrato ao lado, intacto,
E o mesmo sorriso frio
O desenhado rosto magro
Um gole de café amargo
Os olhos cheios de solidão



(Cáh Morandi)

julho 09, 2008

Recado aos leitores!

Olá queridos, primeiro quero pedir desculpa a todos aqueles que tem me mandado e-mail e me adicionado no orkut, pela demora que estou tendo para respondê-los! Mas prometo que mesmo que demore um pouquinho, responderei todos da forma especial, carinhosa e particular que cada um merece!! Aos que moram em Santa Catarina (litoral), ficarei super feliz em encontrá-los! Logo devo estar em Curitiba e mês que vem em São Paulo! Então... Se quiserem compartilhar um pão de queijo, um cafezinho, um suquinho... estarei presente com certeza.
Quanto ao livro, já respondendo a todos, creio que em breve já estará a disposição para os que tem interesse em adquirir!
Meu e-mail está sempre aberto ao carinho e sugestões de vocês! :)
Beijão,
Cáh Morandi

julho 08, 2008

Sem face




Abre os braços
Me recebe desmoronando,
Desfalecendo;
Me aperte contra teu corpo
E olhe nos meus olhos se apagando;
Contempla em mim
Essa coisa inacabada que sou
Essa beleza que não tenho
Essa frieza que não quero
Esse desespero em desabar;
Me abrace, me aceite
Sobre tuas pernas
Ainda que eu seja
Essa mulher sem face;
Me enlace, me afunde
Nesse gozo que surge
Ainda que eu pareça
Essa fera sem nome


(Cáh Morandi)

julho 07, 2008

Insolúvel

Se pudesse
Parar o tempo
Seria no instante
Que surgiu como vento

Se soubesse
Domar intento
Seria no mirante
Que avistei sentimento


Ah, se eu pudesse
O teu no meu olhar
Aprisionar naquele momento


Ah, se eu soubesse
Como te fazer eternizar
Além de aqui dentro



(Cris de Souza e Cáh Morandi)

julho 06, 2008

O inesperado




Não há mais nada para acontecer
Nada que não seja previsto
Nada que possa surpreender
Não espanta flores nascendo nas calçadas
Não apavora estrelas novas sendo penduradas
Nem o corpo vencendo a física
Nem o cego lendo mímica
Nem a ciência na sua vã experiência e sua cara de
reticências nas coisas que o amor pode fazer...
O mais impossível era esse encontro
Entre tantos desencontros,
Entre tudo que não tinha nada a ver,
Só tinha que ser você para ser inesperado
E agora que venha o que vier
Porque de resto nada além,
Agora o que vem já é esperado




(Cáh Morandi)

julho 05, 2008

Ver no olhar




Eu gosto de ver a vida. Gosto de vê-la acordar e perto de adormecer. Gosto de vê-la desvendar e esconder, mas principalmente gosto de vê-la nos olhos de outro alguém. Vejo ternura nos olhos de minha mãe. Vejo paciência nos olhos do meu pai. Vejo esperança nos olhos de meus irmãos. Vejo doação nos olhos de meus amigos. Nos olhos do meu amor eu vejo a parte de mim que não conheço, vejo o lado amável, afável e amoroso que ao largo do caminho fui deixando, e é ele e esses olhos recheados de todas as estrelas do céu e do mar, que me devolvem a doçura, a candura e a delicadeza que andavam adormecidas.



(Cáh Morandi)

julho 03, 2008

Em tudo




ele não está por perto
é um abraço no deserto
é a solidão me dando um abismo
é puro egoísmo do meu coração
que não compreende
que de mim desprende
e quer voar sem ter asas
te procurando em todas as casas
em todas as coisas
em tudo que tem
em tudo que vai e vem
em tudo que fica
em tudo que chega
em tudo que palpita
em tudo que duvida
que possa te encontrar




(Cáh Morandi)

junho 26, 2008


pelas saudades que virão
nesse poema eu faço
um apertado abraço
para os dias de solidão



(Cáh Morandi)
O amor é alguém que a gente não tem
e às vezes tem, mas nem desconfia disso

Auto Leitura


e se tudo o que eu sou
ou seja lá o que fosse
já estivesse publicado
carimbado, editado
e distribuído?
não, eu não seria
um best seller
e você nem havia de
ter me conhecido,
ou se conhecesse
nem graça teria,
você já saberia tudo
do meu passado e futuro
até as coisas que eu nem sei
por que devem ter acrescentado.
ah, ai, se me conhecessem
num estudo bibliográfico!
hum, que fracasso
ninguém me compraria!
melhor, eu prefiro é doar poesia,
doar essa coisa que eu sinto
e que transborda...
alguém entenderia,
e veria beleza nas entrelinhas!
ah, eu sou tão pequena...
mas se o universo todinho
cabe dentro de um verso,
eu posso ser ao inverso,
posso ser grande,
posso ser perto
de tudo que quero



(Cáh Morandi)

junho 25, 2008


"Se escrever for coisa lá de baixo
que Deus perdoe meu lado errado
e me receba quando for meu dia
prefiro morrer fazendo esse pecado
do que viver sem nenhuma poesia"


(Cáh Morandi)