abril 02, 2008

Spinning in me



só por um momento eu desejei fechar meus olhos
em tantas voltas que o mundo fez para mim
(por um segundo eu quis estar mais perto)
senti vontade de estar por dentro das memórias
e de nunca mais tê-las que abandonar por um futuro;
o que a gente sente, o que a gente foi
nunca deveriam nos deixar
há uma dor enorme em ter sido... em ter feito...
em se ter sentido...
e nunca mais retornar a tudo isso


são quase onze horas da manhã
as pessoas estão sempre em silêncio
eu escrevo, olho o céu, penso
e cada nova palavra é um desafio
que depois de terminada já se torna
parte de tudo que não poderei ter de novo;
nem todos os dias de outono são quentes como hoje
e é isso, talvez, que tenha me aquecido as lembranças ternas


ter do que se lembrar não nos remete a fotografias e vídeos
nem a memória viva da face daqueles que amamos
embora isso possa parecer egoísmo,
mas uma saudade forte, é ainda poder saber
a intensidade de como nos sentimos naquele momento
em que tudo isso fez parte de nós;
de lembrarmos o nosso arrepio no corpo de quando
conhecemos nossos amores que partiram;
a forma que nos sentíamos quando os víamos dormir,
quando os beijamos, quando fomos quase únicos;
saudade que faz falta é quando nos olhamos ainda
na infância, brincando em balanços e parece que o vento
nunca parou de tocar a face e de levantar nossos cabelos;
então a saudade não está em lembrar...
saudade é ainda poder sentir


(Cáh Morandi)

março 30, 2008

Santuário



Me leva a um amor profundo
sem destinatário


Me leva a outro mundo
de desconhecido itinerário


Me leva num segundo
onde o nosso amor é santuário.

.


(Cáh Morandi/Emil/Pedro/Cesar e Augusta)


março 29, 2008

O que resta, amor?


Vem comigo para onde não sei que vou
Esquece dos bilhetes no espelho
Eu sou o mesmo do primeiro beijo
Que hoje de manhã você roubou

Que sacanagem, como a vida acontece
Mas vê se não desaparece como tudo em mim
Saiba que tudo antes de ti era companhia ruim
E não diga que esquece vai, ninguém merece

Não vista as roupas com a mesma pressa
Se o que (de verdade) interessa está por vir
Seus olhos gritam, você vai ter que convir
Que não é esse único adeus que nos resta

Eu me lembro quando te vi, como me senti
Como você me fez mudar todos os meus planos
E eu, determinado lhe entregar meus futuros anos
Ouço mudo, sua teoria de viva a vida, será que perdi?


E se eu quiser mais de nós dois
Agora, para sempre e depois?
Abraço o clichê chato
De Louco apaixonado?



(Cáh Morandi e Henrique Bastos)

março 28, 2008

Das insignificâncias da vida




Bastava o perfume que os cabelos deixavam nos travesseiros
E aquele beijo trocado em plena tarde de uma segunda feira agitada
Bastava aquela conversa sobre um assunto sem nexo no café da manhã
E as gargalhadas do ser amado vendo TV em plena madrugada
Bastava estarem abraçados e ainda deitados num dia preguiçoso
E implicarem antes de um passeio por causa de uma saia minúscula
Bastava mesmo que fosse uma briguinha antes de começar o dia
E você ficar pensando o dia todo em alguma forma de reconciliação
Bastava que ele chegasse, mesmo esquecendo das compras da semana
E que ela te perguntasse a cada minuto se você a amava


(...)São nessas pequenas horas que se descobre ter sido feliz,
Mas isso é coisa que demora uma vida toda para se perceber



( Cáh Morandi )

.
.

março 27, 2008

Fortaleza


eu não quero perder nada
dos meus erros e acertos
é com muito tropeços
que se aprende a ser grande;
que em muito há de ser tolerante
que a fé sozinha não é o bastante;
quero passa por tudo, em tudo
aprendendo de todos;
calando mais meus impulsos
escutando mais de meu Deus;
porque daí eu eu sei
que eu vou estar pronta
e que amadurecer não é somente
uma questão se ter sorte,
que embora assim pequena
eu vou ter aprendido a ser forte


(Cáh Morandi)

março 26, 2008

Penso tanto!




Eu procuro me manter distraída
Versos, sonhos, a toda hora: poesia!
E meus passos rápidos pelas avenidas
Vão sempre calmos nos caminhos da vida
E eu te olho, (re)olho, depois eu penso:
Penso em quantas formas te posso pensar
Eu danço no meio do destino
Vendo se ele consegue me pegar
Deslizo, escapo, sou pássaro no ar
E eu te desejo amar tanto
Mais do que qualquer humano
Já ousou amar
Eu procuro me manter distraída
Pra de vez em quando não lembrar
De tanto sentimento que carrego
E que deposito em teu olhar



( Cáh Morandi )


.

.

março 25, 2008

In(corpus)


Existem muitos corpos
E há um que dia desses
Vais encontrar nu em tua cama;
Podes deixá-lo ali, podes usá-lo,
Podes o dares adeus mais tarde;
Mas se tu pegares esse corpo
E amá-lo
Ele nunca mais será somente
Um corpo


(Cáh Morandi)

Sobretudo no nada




1.
e hoje tudo voltou a dormir dentro de mim
como sempre acontece depois do tempo
em que a paixão avassaladora esfria;
tudo morre, e é somente inicio do outono
mil pétalas de mim espalhadas, arrastadas
em terras que nem ainda tem nome


2.
o silêncio é sempre o que diz tudo
nisso tudo em que a tristeza são cacos
dos vidros espalhados para os pés nus;
o mundo é só o mundo para o que vejo
a menina dentro de mim descansa
e eu sei, ela não vai mais despertar


3.
então a menina que não mais vivia
ainda estava vestida com roupas de festas
e na face o sorriso sumia por tanta espera;
não mais se fazem esperanças como antes
e foi falta de fé ou foi ausência de crença
que nos toma as crianças que nos habitavam


4.
que saibas que eu não pude contra tanta falta
que noites seguidas o frio me abraçou
e eu fraca, indefesa me rendi a esse alento;
abracei tanta ausência de tudo que estava perto
sem fome, sem nome, sem uma lembrança
fui apagando nos retratos e fotografias;


5.
tomei o café amargo de pó e de lágrima
vesti o sobretudo preto sobre o nada
e quem dera que a espera valesse
ao menos o perfume que foi gasto;
quem dera que os amores durassem
a tempo de todos os sonhos cometidos;



(Cáh Morandi)

março 24, 2008


eu posso não saber muito
do que a vida é
nem tive tempo ainda
para errar tanto
mas se te falta um conselho
que seja bom ou ruim
é que nisso tudo
de se ser feliz ou coisa do tipo
o amor pode até não ser regra,
mas não deixe ele ser exceção




(Cáh Morandi)

março 23, 2008

Sem sentido



Outra noite
quando fizer amor contigo
e ao pressionares tua barriga
contra o suor de meu umbigo
talvez... as coisas perderão
um pouco do sentido;
talvez... eu te deixe em silêncio
ao beber teus sussurros ...gemidos


Ao alcançar teu céu
Perdi meu chão...



(Cáh Morandi)

.

.

março 21, 2008

O não-beijo


É estranho pensar que os beijos
São melhores antes de cometidos
Tem o gosto bom do pecaminoso
Enquanto moram nas expectativas;
Eu lembro o quanto você dizia,
Do quanto queria os meus lábios
E no dia em que te beijei, eu não sei,
Se te encantei ou te causei espanto





(Cáh Morandi)



.

.

março 18, 2008

Sem tremer




Eu estive sempre pronta
fosse qual fosse a hora
fosse qual fosse o dia;
nunca duvidei, nunca tremi
diante a face do inesperado;
foram queimaduras ao sol
foram mergulhos em tempestades;
eu respirava fundo a coragem,
eu mantinha intocável a fé;
eu resisti ao mal dos olhares
apesar dos imensos pesares
eu sempre fui o melhor de mim



(Cáh Morandi)

.
.

O amor se apaga


1.
me lembro que eu escrevia
sobre a dor de um outro amor
você leu, se apaixonou
por muito tempo eu não quis
provar do amor novamente;
e você tomou meu coração
com tuas mãos cansadas
num ato de ultima esperança;
eu deixei me levar
fui encontrar com teu
abraço faltoso e insone;
senti que você me amou
(ao menos tentou);


2.
o tempo sempre sufoca e
desacelera os grandes amores,
até aqueles que se juravam eternos;
não seria diferente com a gente
porque eu não sei na sua cidade,
mas aqui tem chovido todos os dias
e eu estou triste de novo
como era antes desse encontro;
na verdade, eu acho que hoje
sou bem mais triste,
pois é uma dor em cima
de outra dor;
e eu vejo que estou deixando
minha vida cheia de feridas abertas;
meu querido, eu estou sangrando;

3.
nunca mais pense absurdos,
não quero presentes caros comprados
(eu quero amor antes do café da manhã)
começo a perder a fé, as forças,
o mundo explode a cada segundo
e o céu desaba em minha cabeça;
eu não sei por qual caminho
você tem escolhido seguir,
mas sinto nossas mãos se
distanciando mais e mais;
não grite, não fale,
não minta sobre as coisas
que você não pode sentir;

não acredite nesse sentimento
que você não tem por mim.



( Cáh Morandi)



março 17, 2008

Palavra feia



No fundo nem sei se sou fruto, se sou pecado, se sou santa do mal encapuzado. Não tenho gosto de maracujá, mas tenho cheiro no corpo todo, nos cabelos, no andar. Sou açaí, sou pitanga amarga, sou manga doce, sou tudo "como se fosse" e no fundo nem o que ousas imaginar... Sou mais do sentir, sou mais do tocar... Sou como a palavra dificil e feia, mas que tem um significado bonito e que só o nome é esquisito de se falar. Não sei do que me visto para ti, se de verso ou se de rima, se de fruta ou fantasia; mas no fundo ser o que sou (e desconheço) me fascina, porque posso provar o gosto selvagem da vida em sua seiva que em mim germina.



(Cáh Morandi)

março 16, 2008

Meu Mundo






Não sou sua
Sou da rua
Sou estrela
De céu e de mar

Não sou minha
Sou do avesso
Sou refresco
De brisa a sonhar

Crio um mundo
De cores claras
Poesias raras
Flores pra beber

Sinto profundo
De respirar magia
Rimas de amor
Pétalas pra colher


~Cris Poesia & Cáh Morandi~

Amor na pele


eu gosto
quando beijas
minhas mãos,
minhas costas;
eu gosto
quando fazes
amor com minha
pele,
quando amas
cada pedaço meu
com tua boca
antes de
devorar-me
inteira



(Cáh Morandi)

março 13, 2008




não quero mais dormir
depois do meio dia;
(não quero mais dormir
enquanto for dia)

passa tudo tão depressa
e ao menos quero encher
os olhos de beleza
(de muita beleza);
Lotar minha retina
do tempo avassalador;

ter no corpo: vigor.
ter na alma: amor.
(Cáh Morandi)

março 12, 2008

O amor não cansa




- Espero chegar logo em casa...
- E porque tamanha pressa?
- Hoje quero te amar até ficar cansado!
- Mas do amor nunca se cansa...



(Cáh Morandi)

março 10, 2008

Sob você



quando Deus me deixar
falar de amor
com convicção e
verdade


quando Deus me
abençoar ao encontrar
as palavras
certas


vou (de)escrever
sobre você;
enquanto estive
sob seu corpo



(Cáh Morandi)

Balancê


Os cabelos livres
Brincando com o vento
Contra o claro do céu
Faziam rima e verso

Balançar de ourives
Embalando sentimento
Descobertando o véu
Sonhos de seu universo

Pés que não tocam o chão
Que apontam ao paraíso
Afeto, tua varinha de condão
Coração de amor vestido !


~Cris Poesia & Cáh Morandi~ ~

março 09, 2008

não sei



eu não sei amar, meu amor
eu não sei te amar
sem amor.
.
.
(Cáh Morandi)

poesia que nasce e morre


eu estava no chuveiro
dando banho na alma
doce e calma
molhando os pensamentos;
daí veio uma poesia
que eu declamava
e formava bebendo
a água que escorria;
era uma poesia linda;
era minha melhor poesia;
tinha a rima incerta
e a dose certa
entre o amor e alegria;
Sai do banheiro
na expectativa
de colocá-la no papel,
mas não consegui;
nunca mais encontrei
aquelas palavras certas...

e me bateu uma tristeza
de deixar morrer aquela
poesia que foi tão bonita,
que foi tão minha e tão lavada;
sosseguei, mas demorou para
entender... dessas poesias
que só nascem e somem
a tempo de serem sentidas.
.
.
(Cáh Morandi)

março 07, 2008

Pequena


nada de imenso
nada de absurdo
sem palácios
sem reinos


me agrada uma casa
pequena
que já basta
a vida de grande;
e tendo o teu
amor ao bastante
tu me entregas
a felicidade
inteira.






(Cáh Morandi)

A todo instante


no fundo o passado
fica borbulhando
no presente
e se te afastas
das lembranças
elas te esperam
ali na frente:
vivas no futuro

mas entendo
que isso é no fundo
que se sente
e de muito
e de tanto;
tão de leve
tão recente
que tantos anos
tanto tempo
tantos rostos depois
e parece
que o passado acontece
a todo instante.

.
.

março 06, 2008

Quanta "coisa"


quanta "coisa" que falta
entender ou desentender
do coração da gente
do amor que se sente

devia doer?
devia arder?
talvez... talvez sim
enquanto
o amor persistir
enquanto
o amor existir
enquanto o amor for tudo isso,
enquanto for aquela "coisa"
que salva e mata
que fere e cura
enquanto o amor for loucura,
... um total desentendimento

amargamente doce
fortamente suave
... sentimento.
[Cáh Morandi]

março 05, 2008

Ultimato


Preciso me deparar contigo
Dia desses, sem compromisso,
De surpresa, com beleza,
Com calma e espanto

Preciso da cor do teu riso
Liras dessas, sem frescura,
De alento, de cândura
Com pressa e remanso

Vai lá, deixar nosso tempo
ser a dose pura e sem medida
de tudo em que és encantamento,
doçura, leveza e serena vida

Vai lá, brilhar nosso momento
Ser o olhar de brisa e vertigem
De canto em que és alumbramento
Ole que flui, vigor que me brinda !

[ Cáh Morandi e Cris Poesia ]

março 04, 2008

Trêmula



três estações se passaram
desde aquela vez
em que você desenhou
seu mundo aos dedos
em minha barriga
(seu mundo de terremotos,
intensos, quando eu ria)
e como as coisas que acontecem
sem que se perceba a tempo
o amor foi passando
a gente se estranhando...
os planos desfazendo;
você me deixou te lembrando
eu te deixei me esquecendo...



mas será que pensas
se eu ainda sinto o doce
trêmor de teus dedos?




[ Cáh Morandi ]

março 02, 2008

Vôos de uma partitura



Com olhar luminoso
come estrelas
a menina
transcendendo a música
da alma
corpo celeste
nos dedos agônicos
do não dito
in vôo uni forme
chocolate pinga
a lamber sonhos
bocejantes
a menina se ria
afundava mãos na terra
vestido florido
de novas primaveras
cabelos leves na brisa
ela girava em terras rosas
inventadas imaginação com asas,
de pequena borboleta.

** Gaivota **& Cáh Morandi

Em letras Evaporadas





Ah! Meus ouvidos
ouçam o mar que arrebenta à praia
Ah! Meu sol, diz pras margaridas
gargalharem no colchão
durmo doces suspiros
Ah! Meu perfume
envolve jasmins, deita a meu lado
quero acordar sentindo tua brisa
Hoje o dia sangrou tragédias redigidas na vida
preciso evaporar em letras macias.
Estendo o corpo
abraço o tempo que está por-vir
Ah! Quantas coisas vivem apenas
na vontade ou na memória
Ah! Minha história torta e
certa pelo avesso
Ah! Meus pesadelos verdadeiros
guardando segredos em livro


Apaga-se no céu a lua
nua
sorrio pra noite escura
uma estrela que é só tua



** Gaivota ** & Cáh Morandi **

fevereiro 28, 2008

Isso sim




Sorte é ter a boca dele
Se escondendo em minha nuca
Ali morando, ali amando, ali fazendo
Sua língua quente derretendo
Em mim sugando, em mim lambendo
Seus dentes na pele afundando
No corpo comendo, no corpo mordendo
Sorte é ter um amor para se viver
Que de tanto prazer se desmancha ardendo.



[ Cáh Morandi ]

Música: Pra Toda Vida



(Para meu Andrew)

Primeiro foi a música, a canção fez você sorrir e logo a primeira vista o mundo girou pra mim; E a paixao é a loucura que passa como um terromoto, com o tempo acalma, mas onde você está? Eu tentei acreditar que sem você eu viveria, mas assim o tempo para, cada segundo é um dia, mas a paixão com o tempo passa como vento acalma e ainda quero saber como você está. O que eu sinto não é de mentira e agora tenho certeza que é pra toda vida (você é para toda vida). Com tantos desencontros sei que você não me esqueceu, como seria nossa vida e tudo aquilo que a gente não viveu? E a paixao é a loucura que passa como um terromoto, com o tempo acalma... O amor chegou pra ficar... E agora tenho certeza que é pra toda vida (você é pra toda vida).



(Frejat)
.

.

Por um triz



Andas por entre os astros
mil pedaços, me desfaço
enquanto não encontras
um caminho certo;
já passam das onze
você não chegará
a tempo de um beijo
que me faça dormir;
não virás a tempo de meus
sonhos...
não virás a tempo da vida
que te proponho...
me apalpas no escuro
frias mãos da madrugada
quantas estações
que não vês
o meu sorriso desajeitado;
quantos planos
inacabados
no canto do quarto;

desde quando
nos tornamos estranhos?
desde sempre
o amor se acabando ?

você veste seu palitó
amarrotado;
neve lá fora
o céu não passa
de uma parede
de aço;
eu penso naqueles
dias que foram...
que eu te fazia
dias belos
dias claros
dias raros;


desde quando
não te fiz feliz?
o amor é sempre
por um triz?



[ Cáh Morandi ]

fevereiro 26, 2008

Sentindo





Essa coisa de ficar sentindo
Sentindo tudo, tudo de mais
Se desse para levar a vida mentindo
Falsamente sorrindo e nada sentir




[ Cáh Morandi ]

No raio da lua



só a lua
naquilo tudo
escuro
num raio
eu vi
tua face



tudo claro
faz bem
lembrar de
um alguém



uma lembrança
bem forte
é quase como
tocar


.
.



Cáh Morandi

fevereiro 25, 2008

Gosto de terra



me dá uma saudade
de ter vivido a vida
andando de pés descalços


meu mundo de saltos altos
nas alturas me derrubaram
... foi bom ter o gosto da terra
de volta me tomando os lábios...





[ Cáh Morandi ]

Mundo de nada

há em mim muito mundo
um pouco de tudo
acumulo absurdo
de um nada profundo


[ Cáh Morandi ]

fevereiro 21, 2008

Padece nosso amor


Escorre entre as pétalas das flores
O sereno suave e doce dessa noite
Procurando no silêncio que se estende
Um pequeno pedaço de terra úmida
Onde possa por fim se entregar
E ser parte vital do que germina a flor
Mudam as direções do vento do sul
E sou norte no centro das estações
Nunca num lugar, num bom sentido,
Sempre dona desse amor mal resolvido
Teu nome sempre sussurra ao meu ouvido
O dia em que te perdi...
Então pouco me vale o sereno ou a terra,
E essas pétalas de flores...

Há tantos amores na vida se cumprindo
E o nosso, em tuas mãos padecendo.


- Cáh Morandi -

fevereiro 20, 2008

Se não te verei




Não,
eu nunca mais te verei,
mas enquanto tenho fresca
tua face
na memória,
enquanto ainda me arde
saber
de tuas mãos pequenas;
de teus cabelos despenteados;

agora,
enquanto ainda posso
fingir que escuto
longe, tua voz;
te desenho,
e te guardo nesse poema
onde posso vir
te sentir
te tocar
sempre


[ Cáh Morandi ]

fevereiro 19, 2008

Ecos



(em parceria com Alex Simas e Cris Poesia)

Meu jeito secreto de lhe falar
Cala-se no limite das palavras
Silencie, há coisas feitas para sentir
Através do grito do meu olhar
Vagueia sons pela noite a fora
Horas te desenho, ar que sufoca
Sussurra teu nome aos ouvidos
Lábios encharcados de serenidade
Desritmo, ao ritmo que forte surges
Tua face abrangendo todo meu ser
Emudecendo-me com teus beijos
Toque no meu toque, fervendo
Cheiro no meu corpo entranhado
Abraçando-me em roucos delírios
Sacio-me de ti, dispersos sentidos




[ Alex Simas, Cris Poesia & Cáh Morandi ]

fevereiro 18, 2008

Acalanto

(em parceria com Cris Poesia)



Ele está partindo
Com parte de mim
Na bagagem do peito;
E meus olhos ficaram
A te olhar, viagem seguir

Ele está deixando
Um todo de si
No caminho do coração;
E meus lábios ficaram
Teu gosto a me despir

Como ele pode ir?
Tem tudo dele aqui!
Suas digitais pela casa
Seu amor dentro de mim

Como posso esperar?
Se minha alma ele levou
E pelos cantos rastros deixou
Sua presença, acalanto sem fim



~Cris Poesia & Cáh Morandi~

O prazer de ser





Já não quero ser grande, forte, inatingível.
quero ser, por hora, de um tamanho que
eu ainda me reconheça, que ainda saiba
me encontrar no passado ou um dia no futuro.
Quero ser humana, quero ser carne e osso,
quero sentir, quero tocar... quero poder
ser isso que sou na medida qualquer do tempo,
estar sempre pronta a me recompor das tempestades;
Não devo estar tão errada...

Há tanta água no oceano que se deixa evaporar
pelo único prazer de voltar a ser uma gota de chuva.




[ Cáh Morandi ]

Pelo avesso: poesia




A poesia mora dentro de mim
É como se ela estivesse tatuada
Por debaixo de minha pele
Que se me virassem pelo avesso
Eu seria toda palavra,
Meu corpo um verso inteiro.



[ Cáh Morandi ]

fevereiro 15, 2008

(Presente:) Você na fotografia



(Para Cáh Morandi)


Eu vi tuas fotos hoje
E hoje aquela chuva fina
Lavada de sol e arco-íris
Caiu-me sobre as telhas.
E hoje não me cuidei o corpo
Como se só alma fosse,
Éter no espaço... eterno.
E então não fui eu mesmo
(Esse eu dos dias)
Fui mais, fui o próprio verão
Fui as cores
Os risos
Fui a disposição dos vivos
E pus-me a criar histórias
Que me inseriam em tuas fotos.
E sem querer, criei um futuro impróprio...
Não me importei
Trajei um largo sorriso
Calcei do veludo das nuvens
E fui-me aos sonhos... onde tu és tudo



*(Caetano César Diniz)*

fevereiro 14, 2008

Então olhar-te




Aquele dia...
(Aquele dia que fui somente sua)
Eu tremia dentro do vestido
Que se desenhava com o vento
Sobre meu corpo claríssimo;
Lembro que você apoiou
As mãos em minha cintura
E me beijou o queixo e depois os lábios
E então eu fui parando de tremer;
(Fui começando a me entregar)
Quando você me tocou dessa forma,
Quando eu te senti a primeira vez;
Quando nos embebedamos do desejo,
Quando por fim o amor foi cometido,
E descansamos na paz de nosso abraço
Banhados de nosso próprio suor;
Olhar-te nos olhos... apenas olhar-te...
Era como chegar com toda a primavera
No último dia grafite de outono.



[ Cáh Morandi ]

fevereiro 13, 2008

(Presente:) Reverencio seu coração


(Para Cáh Morandi)


Observo
cada movimento espontâneo
Digo isso para que todos os outros saibam
Porque é certo que mesmo isso você já percebeu
Nem creio que haja algo que tenha fugido
à sua percepção, ou sentimento.

Então reverencio ao seu coração... apenas....



( Ociné )

Mar para os olhos


Você está tão perto
... te sinto tão longe
Nem mãos de corpo
Nem mãos de alma
Te alcançam...

É como ter um mar inteiro para beber
Com os olhos.



[ Cáh Morandi ]

fevereiro 12, 2008

Nada além


(em parceria com Cris Poesia)


Nenhum outro beijo
Alcançou-me tão fundo
Porque contigo
Plantei os pés
Numa primavera

Nenhum outro olhar
Invadiu-me tão além
Porque contigo
Perdi as horas
Eternizando segundos

Nenhum outro cheiro, anseio...
Nenhum outro corpo, desejo...
Em tudo eu te brindo, te sinto
Em tudo eu te roço, te afloro
Amor, tudo em ti eu adorno!



[ Cris Poesia e Cáh Morandi ]

Quando chegar meu mundo





Logo virá um tempo
Em que eu terei um mundo
feito para mim;
Regarei a
minha terra,
Cuidarei de minhas flores,
Alimentarei os meus sonhos;
Hei
de olhar dentro dos olhos
Verdes e pequenos do
[ meu mundo ]
E soltar
seus cabelos castanhos
Para voarem ao vento;
Hei de pegar as
mãos
Pequenas e delicadas do
[ meu mundo ]
E conduzi-lo a um
lugar
Onde só haja paz;
Hei de amar por completo
E sem medida o
[ meu mundo ]
E depois dá-lo a um mundo
Que não sei quem é o dono;
Mas
ele irá lembrar das
Coisas de meu tempo;
E ele irá se sentir
seguro
Quando lembrar do meu
Olhar fixo;
E de minhas mãos
segurando
As suas, firmes;



[ Cáh Morandi ]

Nas tantas esquinas



Se o tal destino existe
Não entendo porque insiste
Em separar você de mim

Mas não se preocupe, meu amor,
Um dia desses acontece
De a vida estar distraída
E daí, quem sabe,
Numa dessas tantas esquinas
A gente marca de se encontrar.


[ Cáh Morandi ]

fevereiro 11, 2008

O ar demais




quando eu te ver de novo
vou te abraçar
da mesma forma que faço
quando brinco com o ar:
o sugo para mim
e seguro-o ao máximo;
até não poder mais (...)

(...) até precisar respirar de novo...



(até o ar de mais
nos deixa sem fôlego)





- Cáh Morandi -