março 27, 2013

não me devolva



eu sei que é loucura
desejar ser só sua
até que a vida me dê seu ar
quero ser seu enredo,
teu enfeite, teu brinquedo
tão sério e tão risonho
que a realidade será um
sonho incapaz de nos chamar

que seja um abismo
caio no precipício
se você estiver lá

pegue meu destino
me leve em teu caminho -
não me devolva
nunca mais

Cáh Morandi

março 26, 2013

Chantagem




Primeiro você me aparece e me mostra as coisas das quais, até ontem, eu não tinha medo. Eu acredito nelas e, de repente, elas se tornam muito mais do que uma simples crença. Me encoraja ao amor, retrocedo nos dedos. Vem, vende sonhos para nós, mas eu compro só para mim. Vejo um futuro, te chamo por cima do muro da saudade, estico os pés na esperança, me apoio na confiança, espero uma resposta do amor. Será que é só medo a nossa distância? Eu fico aqui com a pergunta e também com a resposta e eu as ofereço para você, como quem oferece um pedaço de vida. Você as toca, mas não as abraça. Você as vê, mas não as retribui. Você não existe. Primeiro eu desejei o amor, depois uma possibilidade, agora não desejo quase nada. Eu continuo, então, preso a esses sonhos comprados, evaporando meu amor, desistindo de uma vida para nós. Acho que é por esse poro que a esperança se esvai.


março 25, 2013

sobre você


madrugada de um sábado qualquer
e seu sorriso me brindou
amanheci num domingo diferente
desses que a gente sonha
e acontece de repente

uma sede de saber tudo que te pertence
devolver tua fascinação das minhas palavras
a intimidade era nosso primeiro olhar
precisamos ir muito mais fundo
até você se achar em mim
até eu me permitir em você

uma semana para atravessar -
estou conhecendo o desespero



Cáh Morandi