junho 14, 2023

invento coisas de você,
e claro que sempre que comigo
nem cogito me ver, senão ao
seu lado, ainda mais
se é um pensamento
inventado, impossível,
indecente e indelicado
para quem não sente
eu sinto, sempre
sinto que posso
estar contigo, e
acredito fielmente

Cáh Morandi

junho 13, 2023

esse amor menino
dorme, suspira
entre o meu peito
esse sujeito, de
palavra bruta e
toque leve
rapaz que se atreve
em falar de amor
com quem escreve
calma, que entre
falar e escrever
há quem sinta:
isso não é breve

Cáh Morandi
pensei que o amor
não mandaria recado,
e meu corpo desacostumado,
não lia mais os sinais,
“perigo!”, era o aviso e também
tarde demais
o beijo tatuando a testa
os dedos dançando nas costas
o riso contando histórias
teu abraço dizendo “bem-vinda”,
meu Deus, é então possível
ser amável, ainda
e perceber o que fascinava:
te conheço desde quando
apenas te imaginava

Cáh Morandi 

de vez em quando
eu penso se
você também pensa
que talvez já deveríamos
ter o risco de
nos esbarrarmos
mas sem querer, é claro
ou então com um
propósito certo
porque
cruel é ter uma dúvida
que mora ao lado

Cáh Morandi
erro é pensar
que essa saudade,
das boas e grandes,
pudesse ser maldade
para fazer doer
o que eu iria querer?
senão você e a
sensação de felicidade
no fim do domingo,
do vinho, do baile,
da rua, da noite
da vida, mas estar lá
e sua.

Cáh Morandi
distraídos, poderia
ser aquele um dia
qualquer, de tantos
acasos, não fosse o
caso de estarmos
atentos
e olha, não duvido de
Deus estar certo,
só quero
chega mais perto,
mais perto

Cáh Morandi

agosto 25, 2019

venho de
uma eternidade
para me conhecer
e descobrir enfim
que a chegada 
era você
sem placa, sem aviso
quase despercebido
era este ponto de
encontro que se
transformou em
faísca de luz
a dividir os
tempos, a
iluminar o
simples, a
clarear o re-
meço

Cáh Morandi

abril 10, 2018

propositalmente
que vivi em exílio 
do amor
e por isso que
perdoo caso
outro alguém
não chegue
a tempo
mas não você,
de quem não me 
escondi, de quem 
me deixei ser
descoberta
colonizada
sitiada
e ser o lugar
do mapa onde
dão as linhas 
das tuas mãos

Cáh Morandi
não olho o
relógio porque
meu medo se
tornou saber
a velocidade 
do tempo
paro sem nem
mesmo estar 
cansada, para 
parecer que ainda
estou mais longe
de chegar no dia
que não haverá 
outro jeito
infinitamente 
te amar tem 
me colocado 
à prova de uma
covardia:
saber 
os dias
de todas as
distâncias 
que temos

Cáh Morandi
próximo de clarear
de a explosão haver
perto de se cruzar
a um fio de devastar
tamanha intensidade
desse colapso, mais
rápido que o reflexo,
deixou o movimento em
pânico, e o que era só 
um encontro deixou 
o amor perplexo
no momento ínfimo
pareceu tão cósmico 
o sentir-mos-atômicos
num big-bang íntimo
colidimos indefesos 
embora de propósito

 Cáh Morandi
o azul me torturou até
me dar coragem de
velejar
o mar 
não me aceitou
em terra firme: quebrou
e retomou parte do
desejo libertador
cuidadosa-mente
aterrado
por muito tempo
o preço pago
pela segurança
do cais foi a
liberdade julgar
o mundo pelo 
tamanho da corda 
presa na âncora
soube que 
com os pés
na areia não
se aposta o
destino de um
barco em
alto mar
estará chegando
ou partindo?

Cáh Morandi

outubro 25, 2017

desculpe, mas
depois de entrar
em conflito agora
sei que seria uma 
covardia hastear a
bandeira branca
nada contra ninguém,
estou desarmada para
batalhar por e contra mim 
e sem me esconder nas 
trincheiras com medo do 
confronto
em tempo, sei que
vencer implica estar 
em batalha, portanto,
se não há luta 
aceito a paz de 
não me conhecer
dou continência 
à vida, prossigo

Cáh Morandi

outubro 24, 2017

não desconfiava
que olhar o relógio
tantas vezes já
era ter pressa
de ti

que o mormaço
da noite já era fogo,
que os lábios secos
já eram a sede que
eu tinha de você,
que o arrepio
despertando o
meu peito já era
me servir como
tua rede

sem saber
respirando eu
estava à postos e
parecia ser normal
como todo humano:
sob-viver com os danos

mas aí
você

Cáh Morandi

outubro 03, 2017

sem qualquer cuidado
coloco essa compressa
de realidade às pressas
sobre esta ferida de
amor
querendo 
e com a impossibilidade 
de morrer, como dizer
ao coração que
ele sobreviveria?
trêmula
de muito longe vejo
a cura à passos curtos
para os sangramentos 
lentos

Cáh Morandi
que eu não
permita viver 
tateando
o amor no 
escuro
meu coração, por
favor, não se 
conforme com
as vendas
que queiram
lhe cegar
que no amor
eu não perca
tempo e não
tenha medo
o medo de perder
faz perder sempre
antes do tempo

Cáh Morandi
apesar do
controle estou
prestes a derrapar
na curva molhada 
desse sorriso
(que riso)
pecado me
fazer isso
e ser livre
para me
torturar
ciente do
acidente:
me espera
confrontar
em você?

Cáh Morandi

julho 25, 2017

poematicamente
me dedico no tempo
que nos afasta a 
descalcular todas
as distâncias
porque o que separa
não mede tudo onde
há recipro-cidades
me permito 
o viver em 
tempos de
rara-idades
intens-idades
possibil-idades
incalculáveis

Cáh Morandi

julho 17, 2017

não posso entrar
porque não sei o
segredo com que
te abro, mesmo que
tenha caminhado até 
aqui entre todas 
tuas camadas
paredes de esconderijos
para tentar atravessar
muralhas chinesas
para me demarcar
labirintos infinitos
para me orientar
como me dissolver ou
como me fazer absorver
para saber o que
há do outro lado
de você?

Cáh Morandi
prefiro pensar que
não estava escrito
que não houve 
pré-destinação
que havia de 
ser porque sim
e não havia a
opção do não
deixa-me crer
que teve a escolha
que ardeu o desejo
que poderia não ser
que era improvável
que ninguém apostaria
imaginar que o encontro
aconteceu depois que
perdemos o mapa e
andamos à beira de
todos os outros que
eram apenas destino

Cáh Morandi


julho 03, 2017

outro
se existisse
se pudesse
despertasse
conhecesse
jamais
te deixar
te trocar,
muito mais
aproximar-te
amar-te
oferecer-me
e aceitar-me,
eternizar-nos

Cáh Morandi