maio 25, 2016

se me conheço
sei que perguntaria
sobre a espécie
depois de identificar
a raiz, mas não
quero saber tudo
um pensamento
um pouco profundo
responde os maiores
mistérios
para continuar
o mover secreto
do que é a vida,
debaixo dessa
única árvore
conto sempre
as mesmas
folhas

Cáh Morandi
os anos de escola
não me fizeram
acertar os cálculos
multilpliquei os 
enganos por não
somar o imprevisto
o resultado é exato
e não foi me dada
a múltipla escolha
para aproximar
do acerto com o
que duramente
pude encontrar
não me vejo nula,
mas me sinto
subtraída

Cáh Morandi

maio 22, 2016

quando era de manhã
a paz balançava branca
os varais das histórias
e de tão claro o céu
nenhuma mancha
me vestia a alma
nos olhos castanhos
havia o campo que
florescia perto de um
sorriso esquecido no
canto dos lábios
só não devia caminhar
sei que andando tropeço
sobre as horas e esqueço
que sempre estou indo
para me entardecer
parada, aceitando a noite
que agora bate na janela,
sei que é a saudade
nunca atrasada

Cáh Morandi

maio 10, 2016

embora queira, é tarde
demais para apagar-me já que
quem sou está posta sob a luz
de todos os pensamentos
dolorida e lenta tento
viver dentro do que
é simples, pois é
por complicar que
a vida dói
como me desprender
da alucinante existência
para, despercebida, passar?
é difícil não ser
invisível

Cáh Morandi

maio 09, 2016

amar tem sido um dia
de céu azul claro
sem vestígios de
nuvens navegando:
celebrar o amor com
os festejos de um dia
santo porque é em si
o milagre nascido de
um pedido intimo
te admirar e desprevinida
deixar tuas mãos pousarem
em minha cintura e sem
contestar seguir para
onde elas me guiam

Cáh Morandi 

maio 04, 2016

primeiro apago a luz
da cidade, para depois
caminhar nas ruas
de olhos fechados
guio o amor às pressas
pelo tato nas paredes
dos lugares que
esqueço devagar
por saber que num claro dia
a dor me cegará anunciando
o fim, é para suportar que
acostumo a ver só o que
está por trás das vendas

Cáh Morandi

maio 02, 2016

pega de surpresa, o amor
me atravessou a pele, me
rasgou a carne, devorou
meus ossos, converteu o meu
espírito e trocou as roupas
da minha alma exausta
assim: ao me beijar a testa
lavando meus os olhos, por
desacostumar com os afetos
e ser talhada pelas
antigas durezas. assim:
ao me despertar no abraço
e me emocionar por saber
segura e tocável - ainda
ouço teus planos a me convidar
para o futuro e só o que posso
é ser cuidadosa para não comprometer
a memória: te conheço
desde quando meu poema
apenas te imaginava

Cáh Morandi

maio 01, 2016

por ser mulher e forte
por ser fêmea e frágil
por ter voz e discurso
por ter motivo e luta
por ser incabível não
me ajusto para entrar
no infinito e por ser
de fibra não me dobro
para cumprir o destino
por ter por essência a
liberdade, por ter por
identidade a coragem
e por ser sensível ao que
posso transpor ao mundo
em um só segundo quando
levantar o corpo e a voz,
guardo a revolução
para o momento oportuno

Cáh Morandi

abril 30, 2016

das promessas,
não peço
que as cumpra,
mas não
as esqueça
é possível conviver
com as dúvidas
não saberia
com as certezas

Cáh Morandi
prestes a virar a página
a dobrar a esquina
a desatar os nós
próxima a abrir a 
porta certa, a
carta secreta,
a palavra perdida
sacrifico o último
esforço no segundo
que separa o agora
do que virá
por que o futuro
sempre é preciso
se nunca é possível
chegar?

Cáh Morandi

abril 26, 2016

dentre os dias, há alguns que sou
capaz de repousar sobre o fogo e não
desdobrar o gesto frio que me cobre e
me recolher sem as perguntas roubarem
o sono, e não aflita perseguir o silêncio
até parar de causar incomodo
sei que é possível me dar o direito
da paz e aceitar o invencível pedido
de trégua nas lutas não escolhidas,
conformada, sei que o perdão
é o último refúgio que me espera
e também o último confronto
mas como esquecer uma
covardia?

Cáh Morandi

abril 25, 2016

desde muito cedo fui castigada
por não aprender as doutrinas,
inclinada à beira da pia
soube que a sede vinha
antes da unção e da benção
naquele momento Deus orou
por mim e meu ouvido já estava
distraído com uma vida pássara
de asas bem abertas e sem rédeas
bravia e indomada cortava o azul
nuances de escuridão às vezes
e uma brecha entreabindo a luz
quase cega o coração sensível,
talvez tenha despertado cedo
e não sei o que fazer ao sol

Cáh Morandi
tenho as mãos sujas
de me cavar por dentro
para me tornar profunda
e ser sem consentimentos
e favores, referencia de amores,
nomes a me endereçar,
sobrenomes a me decifrar,
histórias a me definir
perto do fundo
descubro que
não há

Cáh Morandi

abril 24, 2016

nesses tempos tento diminuir o
mundo e me nego a concordar
com qualquer sonho que me
alargue, qualquer passo que
me apresse, qualquer livro
que me desperte

desconstruo as horas apoiada
sobre o relógio e me limito
a existência do poema
que me desafia, parada,
vencida pelo silêncio e
palavra que não vem

me oriento pelas minhas
fronteiras e o que em mim
costura ser forasteiro aparto
com o movimentar dos dedos,
me mapeio escrevendo as
memórias, delimitando o espaço,
contornando, retorno ao ventre:
nascer requer cansaço

Cáh Morandi

abril 12, 2016


perdoe por meu amor
não dar frutos, por não
florescer meus ramos
em delicadas carícias
por não respirar o sol
em minhas folhas de
existência e vida
não pense que não
conheci as primaveras
que algum dia não
exalei beleza e perfume
que não tive cores
me tornei profunda
envolta em mim
sob o peso estéril agora
permaneco semente,
somente e agradeco

Cáh Morandi

abril 04, 2016

é a esta pequena faixa
de luz permeando as
fibras envoltas na
na vida que me apego
e encontro a chance
de me salvar, a utopia
resguardando o inalcançável
açoitado brutalmente pela
frieza dos dias, embora haja
tímido o sol; buscando em
resistir e não aceitar e me
sentir em fracasso junto
aos que andam ao meu lado
acordada e nunca dispersa
tenho sonhado outros amanhãs,
embora saiba que só o desejo não
mova as lutas dos dias,
é do sonho que crio
a realidade possível
e prossigo


Cáh Morandi

abril 02, 2016

não fosse o tempo das
incertezas e das chagas
e o retorno íntimo não
previsto a me deixar frágil
não fosse a verdade
ter se apropriado do medo
e a palavra não ter
naufragado na garganta
não fosse os encontros
errados demorarem tanto
e o esquecimento pudesse
cobrir o que corrompemos
considero e não posso,
mas de onde te olho
o amor parece tocável

Cáh Morandi

março 29, 2016

queria gastar o resto do tempo
para que me desconhecesses,
que com as passar das horas
menos pudesses saber, e
desaprender os caminhos
que te guiei e que ficasse
estranho o que te fiz provar,
que houvesse ainda o receio
de ter liberdade comigo,
e não me admirar por nada
ou se preocupar com tudo
que me referencia, desaparecer
da tua memória até meu traço
ser comum a qualquer rosto
se a súplica antecedesse o milagre
e então o futuro me desse
a possibilidade de usar o
destino do avesso, evitaria
o começo e te resgataria
antes de todos os danos

Cáh Morandi
foi de recortar as dores
e espalha-las assim no
chão da sala que pude
me ver melhor e
encontrar surpresa
um fio de amor a me
resgatar
agarrada a ele com
unhas e restos, subi
do mais profundo o
meu corpo à luz de
uma esperança tímida
que me penetrou para
anular a esterilidade
que havia me escorado
exposta ao primeiro
novo golpe, não serei
dúbia aos que desconfiam:
sou mais forte no regresso

Cáh Morandi

março 22, 2016

meu medo era esse:
habituar com tua falta
aprender a te ter
sem que estejas, e 
me sentir a vontade
na tua ausência como
se povoasse o mesmo
espaço, e aos poucos
minha voz estranhar
teu nome a ponto
de te chamar num
pensamento muito
intimo, e aconteceu de ser
que te amo e o amor não
existe, mas me sinto absolvida
por não desfazer as distâncias



Cáh Morandi