dezembro 09, 2013

Não, não é demais
talvez seja até de menos
meu exagero no receio
em te/me apaixonar

depois não vá dizer
que não avisei
que eu era caso sério
feliz demais para ser
mistério

Cáh Morandi

setembro 19, 2013

vem

Vem, quero descansar no silêncio do teu peito tímido, quero adormecer em teu abraço para acordar no sonho. Vem, me ama sem a pressa do dia que virá, se o futuro nos separa, então não acreditaremos nele - por hoje. Vem, quero deixar minha boca no teu beijo mais macio, trocar meu gosto pela tua saliva. Vem, diz todas aquelas poesias em meu ouvido, dedilha em minha cintura nossa música, segura meus pés entre os teus para criarmos um caminho. Vem, há este tempo tão suspenso de possibilidades, e meu desejo, por agora, é não te perder para sempre, novamente.


Cáh Morandi

setembro 09, 2013

Aceno



Foi em que traço, personalidade? Em que noite, madrugada se endereçou? Em que face foi mesmo que o amor ficou? O amor sempre será esse lado menos exposto, arranhado no corpo, com ares de futuro. Se entrega à próxima composição, mas segura os sinais. Desabotoa represas, mas encolhe os canais. Suspenso-lento-ardendo. O amor sempre será esse teu lado que não desemboca, que não vem à tona, que não vale meu sopro, minha noite, minha pena, meu poema. Não diz, não age, é inerte, insosso, imaturo, indeciso, impreciso ao que preciso, agora. Quanto mais abandona, mais me encontra: providencial; um lado meu que só renasce porque te espera. Acredita ainda, e envelhece. Renasce porque te melhora. Renasce para que no ventre dessas entregas, uma palavra pequena aborte as próximas distâncias. Uma palavra só, ou uma ponta de coisa-qualquer que valesse uma poesia. O amor sempre será esse hiato que não se desenvolve. Essa pedra que onda bate e não se dissolve. O amor sempre será alguma coisa sua, que não me resolve. Que não absorve. Que não me suga. Que não me seca para que eu me molhe. Que não te recomeça. Que não te escolhe. O amor te acena. Agora temos pressa.

Cáh Morandi & Priscila Rôde

setembro 02, 2013

Doer

... mas e essa dor? Teria mesmo sentido que ficasse por tanto tempo? Ao contrário de você, não me abandonou. De tanto convívio, agora a chamo de minha. Minha dor. Há coisas que deixa-se de compreender. Que fique a dor, mas não quero que arda a ferida antiga. Quero alguém que venha me rasgar de novo a pele, com fúria, me deixando em estado de calamidade. Um amor adolescente. Inconsequente, sequente. Uma nova tatuagem, uma cicatriz que se feche diferente. Se vou dolorir, que não seja de saudade. Quero doer, doer, doer de amor.

Cáh Morandi


agosto 27, 2013

me cuida



Não foi necessário dormir para que sonhássemos juntos. Estou descansando com os braços imóveis dentro do teu abraço, seu corpo me protege as costas, tuas mãos se aquecem se fechando e se aproximando em meu coração, sua voz desliza baixo em meus ouvidos, você respira quente sobre meu pescoço arrepiado. Relutei por tanto tempo escolhendo sempre o amor errado. Não cheguei inteira até aqui, mas me entreguei quando você disse que ama todos os meus pedaços. Me cuida, deixa tuas mãos se perderem em meus cabelos para que eu me encontre segura. Guarde sempre teu próximo beijo para mim.

Cáh Morandi

agosto 12, 2013

definições


a realidade me atravessa
já não posso tardar na resposta
tudo agora me define –
decido o futuro
sem conhecer o fim

o amor será adiado,
outra vez

Cáh Morandi

agosto 09, 2013

Pare



Se você não parar exatamente agora, irei me apaixonar. Vou entregar todos os pontos, vou abrir o mais largo sorriso, vou atender todas as suas ligações, vou responder todas as tuas mensagens, vou querer te dar a mão para me sentir segura na rua, vou só conseguir dormir em conchinha para anteceder o sonho. Vou expor todos os sintomas de uma apaixonada.

Mudaremos o domingo para a nossa cama, sem pressa de levantar, tardaremos todos os horários. Redescobriremos novos filmes, os novos poetas irão compor canções para ouvirmos. Irei de novo contar o tempo de soltar o “eu te amo” e sempre será na hora errada, cedo ou tarde demais. Meu guarda-roupa começará a ter peças suas misturadas com as minhas, e nossos cheiros darão um novo ar para minha casa. De repente, estaremos fazendo planos, replanejando sonhos, revendo as possibilidades. E o melhor: podemos incluir todas as coisas novas para o amanhã, o amor nos dirá que sempre será possível.


Pare. Meus poemas se resumirão a todos os teus detalhes. E agora não quero escrevê-los, quero descobri-los.


Cáh Morandi

agosto 05, 2013

primeiro-último amor



Amo o jeito que ele sorri. Amo o som da sua risada. Amo quando o riso atrapalha as palavras que tentam ocupar sua garganta. Ele sorri com gestos. Sorri com a inteligência sutil de me cantar. Me distraí no momento e segura minhas mãos, me contagia com o divertimento de sermos nós. Bobos. Parece meu primeiro amor, mas não quero: seja o último.


Cáh Morandi

agosto 01, 2013

multiplico


construo a poesia para o nosso amor queria eternizar todos os nós que somos inútil pensar que posso nos caber - intermináveis, recomeçamos se achamos um fim, para nós o horizonte desperta a cidade mais próxima, não encontro mais em mim o findo me encho de ti e multiplico: trapaceamos a eternidade.

Cáh Morandi

julho 31, 2013

te moro


Quero ficar morando no teu beijo. Agora dei de ficar desabrigada, você que se parece tanto com minha casa. Você que tem o descanso do meu lar. Você que agora é meu endereço, adereço. Você, moço, sem cabelo para eu deixar de pé. Você que parece ser exatamente o que é: um amor para mim.


Cáh Morandi

julho 29, 2013

cicatriz



descarto as dúvidas
para conhecer os sinais
das tuas mãos, perco-me
nas linhas do teu traço,
será que meu destino
estava escrito na tua
cicatriz?

se for não, desejo sim,
não te amei primeiro
mas deixa eu amar até o fim -
guardei tua saliva
pra ter teu gosto
em mim

Cáh Morandi

julho 28, 2013

reflorescer


Sei de você até quando não pergunto. O sol da tarde de domingo sempre confessa teus lugares. Você me convidou para amá-lo, mas não sabia que convites tinham respostas que valiam para sempre. Não dispenso a falta que você me faz, ela é também companhia. Pego o telefone, abro um email, penso e penso, chego a escolher as palavras, mas não irei avançar, não irei dizer o que sobrou de mim após a despedida. Quanto tempo demora a tua hora de voltar? A espera é sempre o tempo que um lírio tem ainda na sua semente. Me ensina a reflorescer fora de uma primavera.

Cáh Morandi

julho 25, 2013

não te supero


[...] Não soube mais viver depois de nós. Ninguém consegue substituir teu nome, teu rosto, teu toque, tuas palavras prontas para meus delírios na madrugada. Falávamos a sós – juntos. Não tínhamos mais segredos para confessarmos, então criamos os nossos (esqueci para não entregar). Não vivo mais, vagueio pelas nossas lembranças. Ainda não sei se morri de amor ou de saudades. No final é quase a mesma coisa. Não te supero mais – e não me importo.

Cáh Morandi

julho 24, 2013

te amo além


Se eu disser que nunca amei estaria mentindo. Entenda, eu não poderia te enganar, a dúvida dói mais. Ainda não está tudo acabado, mas agora não quero amar novamente. Para você quero inventar um amor novo, não quero recomeçar o mesmo sentimento de sempre. Somos diferentes demais para um sentimento comum, você não merece o que todo mundo tem, você não pode ser tratado com rotina. Preciso te-amar-além. Preciso ainda inventar o que não existe para amá-lo. Não é sacrifício. Sacrifício é o comum: ligação, jantar na quarta, domingo com a família, cinema. Quero o amor que se revela quando acaba a madrugada. Quero o amor que vem depois do beijo mais intenso. Quero a palavra que testifica a declaração dos votos. Quero o gesto que ultrapassa o carinho. Quero as digitais da tua alma quando tua mão dorme em minha cintura. Nós sempre viveremos além. Nós ainda inventaremos algo maior que a eternidade.


Cáh Morandi

julho 23, 2013

estrela-mulher-cadente



Gosto mais de você, assim, quando a tarde chega no fim. E aí a leveza do teu sorriso retira meu cansaço quase que imediatamente. Esqueço da rotina e quero viver algo novo, iniciamos a noite antes das estrelas. Sou guiada por tua mão em meus cabelos para o escuro da nossa intimidade, juntos decidimos o sonho. Quero descansar, repouso em teu abraço, como uma estrela-mulher-cadente. Não me poupe o teu pedido.

Cáh Morandi

julho 22, 2013

re-verso



e para o nosso 
antigo caso
quero inventar
palavras diferentes
só pra te dar
um amor-recém-nascido
que cresce
desde sempre

reinvento e te vejo
no avesso, re-verso,
ainda bonito, poema,
de-corado nos meus 
lábios



Cáh Morandi

julho 19, 2013

febre


Desisto antes de conhecer o fim. Não antecipo a dor: evito. Quero apenas o beijo e não os lábios. Quero abraço e não estar nos braços. Quero o que ninguém me rouba. Quero o que não parte. Quero o que não me arde, mas me deixa na febre.

Cáh Morandi


julho 18, 2013

cansaço


e de tanto que eu quis
cansei de querer
cansei de você
perdeu a graça
perdi o riso
e eu existo
para alguém
me fazer
feliz


Cáh Morandi

julho 17, 2013

na ausência



sou mesmo quando não sou
e estou mesmo quando não estou -
aprendi todas as contrariedades:
existo ainda mais na ausência.


Cáh Morandi

julho 16, 2013

infiltralidade




Sei que não, mas não importa. O amor deixa de ser amor se precisa ser exigido. Não quero pedir qualquer coisa, não quero dizer uma palavra que demonstre súplica, não confesso mais minhas desesperanças, esta não sou mais eu. Aprendi a guardar carinho com a infiltralidade das pedras. Na beira que as ondas batem, se você tentar me pegar, meu limo me desliza. Veja de longe, uma pedra na mão é uma arma. Você me quer nas mãos? A você mesmo se fere. Não me ame mais do que hoje, deixe que eu seja só o que fui até agora. Para ultrapassar arriscaríamos mudar o destino, e destino não muda trajetória. Por causa de você desenfeitei minha paisagem, desaprendi o gosto dos domingos. Tua falta é também minha falta, dividimos agora a ausência. Acho que você deu muitas palavras que o delírio me deixa em ciclos. Qual foi a última vez que fomos verdadeiros? 


Cáh Morandi